Para os contratos de aluguel com aniversário em junho de 2026, o reajuste pelo IGP-M é de 1,95%. Esse número vem do acumulado de 12 meses do índice até maio, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em 28 de maio. Em maio, o IGP-M mensal foi de 0,84%, desacelerando em relação a abril, quando havia marcado 2,73%.
Como o IGP-M vira reajuste de aluguel
O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) é calculado mensalmente pela FGV entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. Ele combina três componentes: o atacado (IPA, peso de 60%), o consumo (IPC, 30%) e a construção civil (INCC, 10%). Em maio, o IPA registrou 0,91%, o IPC ficou em 0,61% e o INCC em 0,77%.
Para o reajuste de aluguel, porém, o que entra no contrato não é a variação do mês, e sim o acumulado de 12 meses. Contratos com aniversário em junho usam o último resultado acumulado disponível, que é o de maio: 1,95%. Essa distinção é importante porque o resultado mensal e o acumulado andam em ritmos diferentes e muitas vezes se confundem nas notícias sobre o índice.
A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91) permite qualquer índice oficial de abrangência nacional, mas o IGP-M se tornou a convenção do mercado ao longo dos anos e permanece o indexador mais frequente nos contratos residenciais, especialmente nos mais antigos.
Como calcular o reajuste de junho de 2026
O cálculo é direto: multiplique o valor atual do aluguel pelo fator 1,0195, que representa 1,95%.
Um aluguel de R$ 2.000 passa a R$ 2.039. Um de R$ 3.500 vai a R$ 3.568,25. Vale confirmar a data exata de aniversário no contrato antes de aplicar qualquer aumento: o reajuste entra em vigor quando o contrato completa 12 meses desde a última correção, e não necessariamente no primeiro dia do mês.
IGP-M ou IPCA: o que muda na negociação
A escolha do índice é uma negociação entre locatário e proprietário, e não há resposta universal. O IGP-M captura variações no atacado antes que cheguem ao varejo, por isso tende a oscilar mais que o IPCA em resposta ao câmbio e a commodities. Em períodos de dólar estável, os dois índices costumam convergir; quando o câmbio pressiona, o IGP-M costuma subir mais rápido.
O IPCA é a alternativa mais comum nos contratos novos, por medir diretamente o custo de vida ao consumidor e andar em ritmo mais uniforme. Em qualquer renovação, as partes podem negociar livremente o indexador, seja para manter o IGP-M ou migrar para o IPCA.
O aluguel como renda no cenário atual de juros
Para o proprietário que aluga como fonte de rendimento, o reajuste de 1,95% ajuda a preservar a rentabilidade real, ainda que moderada. Com o ciclo de queda da Selic conduzido pelo Copom, a renda fixa perde um pouco de atratividade, o que tende a melhorar a posição relativa do aluguel na comparação com aplicações conservadoras. O movimento não elimina os riscos da locação, como vacância e inadimplência, mas melhora a equação de quem usa o imóvel como ativo de renda.
Para o inquilino, o patamar de 1,95% ao ano é moderado pelo histórico do índice, que chegou a acumular mais de 7% em 12 meses em 2025. O cenário de curto prazo depende da trajetória do câmbio e dos preços no atacado nos próximos meses.
