O aluguel residencial desacelerou pela terceira vez seguida em julho de 2026, com alta de 0,45% no mês ante 0,51% em junho, segundo o Índice FipeZap de Locação Residencial. O ritmo mais fraco é uma boa notícia para quem vai fechar ou renovar contrato agora, mas não conta a história inteira: no acumulado de 12 meses, o aluguel ainda subiu 10,28%, mais que o dobro da inflação medida pelo IPCA no período. O alívio existe no curto prazo, mas ainda não chegou à conta de quem carrega o reajuste do ano inteiro.
Terceira queda seguida no ritmo mensal
O indicador vem perdendo força mês a mês: depois de subir 1,15% em abril, o aluguel reduziu o ritmo para 0,59% em maio, 0,51% em junho e agora 0,45% em julho, segundo o Índice FipeZap de Locação Residencial noticiado pelo InfoMoney. É a terceira desaceleração mensal consecutiva, sinal de que o pico de reajustes do início do ano já passou.
Apesar do arrefecimento, a alta continua disseminada pelo país. Das 36 cidades pesquisadas pelo índice, 26 registraram aumento no preço pedido de locação em julho, e entre as 22 capitais da amostra, 17 tiveram alta. A desaceleração reduziu a intensidade do movimento, mas não o interrompeu.
Entre as tipologias, o avanço também não foi uniforme: os imóveis de três dormitórios tiveram a maior alta do mês, de 0,59%, enquanto os de um dormitório subiram 0,26%. A pressão de reajuste recaiu mais sobre imóveis maiores, tipicamente ocupados por famílias, do que sobre unidades compactas.
Onde o aluguel mais subiu em julho
Nem toda capital sentiu o mesmo aperto. Teresina liderou a alta do mês com folga, de 3,16%, quase o dobro da segunda colocada. Atrás dela vieram Recife (1,78%), Goiânia (1,51%), São Luís (1,43%), Cuiabá (1,25%) e Brasília (1,23%).
O destaque de Teresina chama atenção porque a capital piauiense não costuma aparecer entre os mercados mais aquecidos do país. Vale acompanhar se o ritmo se sustenta nos próximos meses ou se foi um movimento pontual.
As cidades mais caras para alugar continuam as mesmas
Apesar do giro nas maiores altas do mês, o ranking dos aluguéis mais caros não mudou. São Paulo segue na liderança, com preço médio de R$ 61,63 por metro quadrado, seguida por Recife (R$ 59,83/m²) e Belém (R$ 59,40/m²). Recife, aliás, aparece nas duas listas: entre as capitais que mais subiram no mês e entre as mais caras do país, o que reforça a pressão sobre quem aluga por lá. Na média das 36 cidades pesquisadas, o metro quadrado do aluguel residencial ficou em R$ 49,46 em julho.
Por que o alívio é só parcial: mês fraco, 12 meses forte
O ponto central para quem vai fechar contrato agora é o contraste entre os dois horizontes de tempo. No mês, a alta do aluguel (0,45%) já superou o IPCA de julho, de 0,26% segundo o IBGE, e contrastou com a deflação do IGP-M, que recuou 0,77% no período. No acumulado de 12 meses, porém, a distância é bem maior: o FipeZap soma 10,28%, mais que o dobro do IPCA acumulado no intervalo (5,23%), enquanto o IGP-M de 12 meses segue negativo.
Essa divergência entre os índices explica por que dois números sobre aluguel podem contar histórias diferentes. O IGP-M mede uma cesta de preços do atacado, do consumo e da construção civil, hoje pressionada para baixo por esses componentes, enquanto o FipeZap mede diretamente o preço pedido de locação no mercado, que segue uma dinâmica própria de oferta e demanda por imóveis. Quem tem contrato indexado ao IGP-M pode até receber um reajuste menor na renovação, mas quem está negociando um contrato novo enfrenta um mercado que, olhando os últimos 12 meses, segue caro.
O que considerar antes de fechar ou renovar contrato agora
Para quem está prestes a assinar um contrato novo, o dado mais útil é o preço médio por metro quadrado da cidade, não a variação mensal isolada: um mês mais fraco reduz o ritmo de alta, mas não garante desconto. Comparar o valor pedido com a média da região ajuda a negociar melhor, sobretudo fora das capitais no topo do ranking de aumentos.
Para quem está renovando um contrato já assinado, o índice que vale é o que está escrito no contrato, quase sempre o IGP-M, e não o FipeZap. Veja como funciona o reajuste de aluguel pelo IGP-M em contratos com aniversário em junho de 2026 para entender a diferença entre o índice contratual e o índice de mercado que o FipeZap acompanha. E como mostrou o aluguel em Manaus, que liderou a alta entre as capitais no primeiro trimestre de 2026, ciclos de alta forte tendem a se concentrar em poucas cidades por vez, então vale acompanhar o comportamento da própria capital, não só a média nacional.
O quadro de julho reforça uma leitura que vem se repetindo nos últimos meses: o ritmo de reajuste do aluguel está perdendo força, mas o patamar de preço segue elevado depois de um ano de altas acima da inflação. Para o inquilino, isso significa negociar com mais espaço do que havia alguns meses atrás, sem esperar que os valores recuem no curto prazo.
