O crédito imobiliário deve crescer cerca de 16% em 2026, segundo projeção da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). A estimativa se apoia em dois movimentos que andam juntos: a queda gradual da Selic, que reduz o custo do dinheiro e reaquece a procura por financiamento, e a recomposição do funding, ou seja, das fontes que abastecem o crédito habitacional. É uma pauta que volta a circular a cada decisão de juros, e a leitura para 2026 começa a ganhar contorno.
Por que a Abecip projeta alta de 16% no crédito imobiliário
A Abecip projeta que o crédito imobiliário cresça cerca de 16% em 2026 frente a 2025, um avanço sustentado por dois fatores principais: a queda gradual da Selic, que barateia o crédito e estimula a demanda, e mudanças no modelo de funding, que buscam novas fontes de recursos para sustentar o volume de financiamento. Juntos, eles desenham um ciclo de crédito mais aquecido do que o do ano anterior.
Vale a ressalva: projeção é cenário, não garantia. A Abecip sinaliza confiança do setor, mas o número de 16% só se concretiza se as condições que o sustentam se confirmarem ao longo do ano. É o que pesa quando se separa a estimativa otimista da conta que de fato chega ao bolso de quem compra.
A queda da Selic como motor da demanda
A Selic, a taxa básica de juros definida a cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), está em 14,25% ao ano após o terceiro corte seguido decidido pelo Copom. Ela é o piso a partir do qual se forma o custo de quase todo o crédito da economia, inclusive o habitacional. Quando cai, o custo de captação dos bancos recua e abre espaço para financiamentos mais baratos.
Esse repasse, porém, não é imediato nem proporcional. Cada banco revê suas linhas no próprio ritmo, olhando o custo de captação, o risco de inadimplência e a concorrência. Por isso a Abecip trabalha com uma melhora gradual da demanda ao longo de 2026, e não com um salto de uma só vez. Para quem vai contratar, entender como as taxas de financiamento imobiliário se comportam neste cenário de juros é o que traduz a projeção macro em decisão concreta de compra.
A mudança no modelo de funding do crédito imobiliário
O segundo motor da projeção é menos visível, mas talvez mais estrutural: a forma como o crédito imobiliário é financiado. Funding, no jargão do setor, é o conjunto de fontes de onde sai o dinheiro emprestado. Historicamente, o crédito habitacional brasileiro se apoia em duas pernas: a poupança, dentro do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), e o FGTS, que lastreia os programas de habitação popular.
O problema é que a caderneta de poupança vem perdendo participação como fonte de recursos, o que aperta justamente a perna mais barata do financiamento. Para não travar o volume de crédito, o setor migra parte da captação para instrumentos do mercado de capitais, como a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), a LIG (Letra Imobiliária Garantida) e os CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários). É essa recomposição que a Abecip aponta como condição para sustentar o crescimento projetado.
| Fonte de funding | Como abastece o crédito | Tendência |
|---|---|---|
| Poupança (SBPE) | Depósitos da caderneta, corrigidos pela TR | Perde participação |
| FGTS | Recursos do fundo do trabalhador | Foco na habitação popular |
| LCI, LIG e CRI | Captação no mercado de capitais | Em expansão |
O FGTS segue como a base do crédito subsidiado, sobretudo das faixas do Minha Casa Minha Vida, enquanto os instrumentos de mercado ganham espaço no crédito habitacional comum. Na prática, a diversificação do funding é o que permite ao setor continuar emprestando mesmo quando a poupança encolhe, e é parte do que torna a projeção de 16% plausível.
O que muda para quem vai comprar ou financiar
Para o comprador, mais crédito disponível e juros em queda compõem um ambiente mais favorável do que o de um ou dois anos atrás. A oferta tende a ficar mais larga, e a concorrência entre bancos por bons clientes costuma melhorar as condições oferecidas. É a parte boa da conta.
A parte que exige cautela vem na sequência. O repasse da Selic à parcela é gradual, então o financiamento não fica mais barato no mesmo dia em que a projeção sai. O que define o peso real no orçamento não é a taxa anunciada na vitrine, e sim o CET (Custo Efetivo Total), que reúne juros, seguros obrigatórios, tarifas e a correção pela TR. E há um efeito colateral do próprio aquecimento: demanda maior pressiona o preço dos imóveis, o que pode corroer parte do ganho de poder de compra. Crescimento de crédito é oportunidade, mas convém lê-lo junto do risco de preço.
Perguntas frequentes
O crédito imobiliário vai ficar mais barato em 2026?
A tendência é de alívio, mas gradual. A queda da Selic reduz o custo de captação dos bancos e abre espaço para taxas menores, embora cada instituição repasse no próprio ritmo. A projeção de crescimento da Abecip aponta a direção do mercado, não uma redução garantida na sua parcela.
O que é o funding do crédito imobiliário?
Funding é o conjunto de fontes que financiam o dinheiro emprestado nos financiamentos. No Brasil, vem principalmente da poupança (SBPE) e do FGTS, e cada vez mais de instrumentos do mercado de capitais, como LCI, LIG e CRI. A saúde dessas fontes determina quanto crédito o setor consegue oferecer.
A projeção de 16% da Abecip é um voto de confiança no mercado imobiliário, mas depende de duas engrenagens girando juntas: a Selic continuar caindo e o funding se reinventar para além da poupança. Vale acompanhar as próximas reuniões do Copom e o ritmo com que os bancos repassam a queda, porque é nesse repasse, e não na manchete da estimativa, que a melhora se materializa para quem vai comprar.
